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INTRODUÇÃO

ESTÓRIAS

estórias (menina e o cego)
estórias (meu recanto)
crônica (quando o amor existe)

POESIAS

CARTAS

carta de amor n. 1

carta de amor n. 2

carta de amor n. 3

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ESTÓRIAS QUE A VIDA CONTA

Este diretório do site reginacelia é voltado às pessoas com mais de 50, que gostem de contar e ler estórias, poesias, contos e crônicas - não excluindo, é lógico, outros mais jovens que deste espaço queiram usufruir.

Introdução

Meu nome é Regina Célia, tenho 64 anos, de muitos anos bem vividos, permeados de alegrias, sucessos, fracassos, tristezas e principalmente, muita vida vista, ouvida, entendida e muitas vezes não compreendida.

Construí este site no final de 2001 tendo como finalidade dividir com amigos poesias, crônicas e divulgar alguns dos meus trabalhos.

O site foi ficando ai, nele aprendi os primeiros passos de criação na internet. Quando eu comecei tudo era bonito, mas depois fui me decepcionando e deixando de lado.

Criei outro site www.telemensagem.online.nom.br onde retiro o meu sustento do dia a dia. Depois criei www.leitura.audio.nom.br com a finalidade de disponibilizar em áudio, leituras para cegos. NÃO DEU CERTO. O site não deslanchou na internet como eu esperava e encontrei pelo caminho muitas dificuldades na criação de conteúdos para deficientes visuais.

De uns tempos para cá, venho mastigando uma idéia, um pouco louca, um pouco tonta: escrever pequenas estórias e disponibilizar neste site.

POR QUE ESTA IDÉIA?

•  Por que acredito que serão sucessos virtuais, literários etc? – Não. Não acredito, nunca tive a intenção de ser escritora, e pretendo escrever aqui em linguagem simples do contidiano, sem rebuscos, sem pompas.

•  Será que esta idéia nasceu para preencher o meu tempo vazio, já que acima digo, tenho 64 anos e as pessoas sempre pensam que todos que atravessam os ENTAS se aposentam e ficam ociosos e solitários?
Também não. Não, porque apesar dos meus ENTAS bem adiantados, eu trabalho cerca de 10 a 12 horas dia na manutenção de sites, e na execução de serviços de telemensagem. Anteriormente, também, fazia revisão de teses e monografias, entretanto, a idade vem e a visão não fica mais legal como antes e digitar textos longos torna-se cansativo.
Então é assim – estes meus escritos não terão nada a ver com PREENCHIMENTO DE VAZIOS e nem tampouco com SOLIDÃO. Será? Você leitor avaliará.

Mas, existem sim, alguns motivos para escrever:

(1) porque eu GOSTO de escrever. É um prazer escrever. Comecei a escrever quando tinha 9 anos de idade, mas nunca fui escritora profissional. A partir dos 30 anos transformei o meu prazer de escrever numa ferramenta a serviço de outros. Como? Auxiliando estudantes na execução de trabalhos escolares, dando apoio em montagem de teses, formatação, elaboração de currículos, datilografia de apostilas para cursinhos e escolas técnicas em São Paulo.

(2) o segundo motivo é interessante e pitoresco dizer: EU GOSTO DE ESCREVER, MAS GOSTO MUITO mais de CONVERSAR. Sou falante, extrovertida, sem segredos, sem timidez, sem medos de expressar sentimentos de amor ou desamor. Já se dizia que quem não sabe falar, não sabe escrever, primeiro vem a fala, o dividir, depois a escrita, foi assim que o homem começou na arte de se comunicar, primeiro aprendeu a falar, depois a escrever. Embora, saibamos também, que a maioria dos poetas e escritores isolam-se para escrever. Mas aqueles que escreveram de forma interativa com o público foram exatamente aqueles que gostavam de prosa nos botequins, nas praças e salões, exemplo: Jorge Amado.

O poeta e escritor solitário é aquele que fala pra dentro, para si mesmo. Suas poesias e textos beiram a perfeição gramatical e ortográfica, entretanto, não comunicam, não fazem o outro se sentir dentro do que ele escreve.

Mas, tenho observado, de cima dos meus 64, uma verdade verdadeira: – na juventude somos cheios de sonhos, esperanças, projetos, e todos gostam de nos ouvir, de compartilhar conosco esta nossa exuberância de vida, mesmo as chatices dos jovens acabam sendo aceitas como normais e partilhadas, compreendidas. Por outro lado, sabemos que em todos os tempos os jovens formaram grupos de amigos, grupos de colegas, grupos de inimigos, muitos grupos. Turma da dança, do teatro, do cinema, e os namorados e namoradas.

Envelhece-se, e mesmo que continuemos ativos, trabalhando, produzindo, planejando, o que fala mais alto é o passado – os sonhos realizados, as decepções curtidas, os projetos fracassados, as esperanças não atingidas, os amores perdidos, os amigos que se foram, os amigos que não vemos mais – o sol do passado que não nos queima mais. Os desejos que se foram. Os velhos amigos só se queixam de dores e os jovens não nos querem ouvir. Os vizinhos não se interessam pelas nossas vidas e os filhos formaram suas próprias famílias e também não estão a fim de ouvir estórias e mais estórias que foram contatas muitas e muitas vezes.

O velho fica repetitivo. Todo dia conta a mesma estória e antes que ele comece a contar uma nova estória, os jovens e os vizinhos já pensam que está vindo a mesma estória de sempre e nem querem ouvir. E já vão saindo de lado, cortando a conversa. Os jovens não querem dividir com velhos os seus projetos – porque os velhos estão ultrapassados, são reclamões, chorões, cheios de problemas do passado e do presente – não conhecem de informática, mal dedilham no computador, não montam mais a cavalo, não andam de motos e nem bicicletas. Dirigem mal, escrevem mal e são caolhos para a vida que fervilha lá fora. Desconhecem a palavra prazer.

Esta é uma realidade. O velho não tem opção, mesmo que tente se manter atualizado, presente, consciente, o mundo o julga ultrapassado.. Assiste calado a vida que transborda nos filhos, nos netos, nos vizinhos e fica de olhos pregados num passado que não volta mais. Eu não queria ser assim, queria ser uma velha pra frente, cheia de alegria e vida, mas parece que estou pouco a pouco engrossando a multidão de velhos que não tem destino certo, não sabe onde está e nem para onde está indo.

Então, vou me dedicar todos os dias a escrever, pelo menos uma hora para não encher o saco dos amigos com conversas fiadas, não significativas para eles, e para não ser repetitiva. Em alguns momentos meus escritos serão desabafos e em outros, apenas fantasias - porque, embora não acreditem, os velhos também sabem fantasiar, sonhar, amar, desejar.

Cansei das desculpas – mãe estou com pressa, muito ocupado(a)

Amiga, abrevia o papo pois tenho muita coisa para fazer. Depois ligo pra você.

Outras vezes – papos como – preciso ir ao banheiro!!! – tenho que dar comidinha ao nenê!!! – preciso dar banho no cachorro!!! – vou levar o carro ao mecânico.

Se você que está lendo isto aqui não gostar – feche a página, vá para um outro site de bonequinhas, jogos ou música, esportes, notícias, DVDs, compras. Mas não precisará me dar nenhuma desculpa, pois eu nem saberei que você esteve aqui. A menos que você tome a iniciativa de interagir comigo em meu livro de visitas.

Eu me considero uma pessoa ativa, mas vejo que tenho também a tendência de olhar mais para o passado que para o futuro – pois o futuro do velho é uma expectativa de que a estrada finalize ali – naquela esquina, naquela tarde, naquela noite, neste ano, neste dia, ou amanhã... talvez em um ano, dois ou três – mas afinal de contas envelhecer é chegar ao final da estrada, queiram uns ou não queiram aceitar esta verdade os mais otimistas.

Não devemos parar e ficar esperando que o final do caminho venha até nós. Temos que continuar caminhando enquanto forças tivermos nas pernas, luz nos olhos, e boca para falar, mãos para escrever, ouvidos para ouvir. Enquanto há vida, precisamos continuar. O final deve vir manso, sem dores ou com dores, mas sem medos, sem fugas.

Então aqui, vou contar histórias verdadeiras e também estórias inventadas, o leitor julgará se são verdadeiras ou não. O leitor verá de seu ângulo, da sua perspectiva de vida, através de suas lentes de conhecimento e experiência, aquilo que lhe falar ao coração, apontará como verdade, e quando sua experiência disser que é uma invenção, pode ter certeza: é invenção. Pois toda verdade fala sempre direto ao coração de todos.

Não espero que muita gente venha ler e acompanhar estas minhas estórias. O prazer de escrever será maior. Se uma pessoa por dia perder alguns minutos lendo minhas estórias já será muito bom. Se mais de 10 pessoas por dia lerem, eu acreditarei que as ESTÓRIAS SÃO UM SUCESSO.

Pretendo misturar a estas estórias – poesias, contos, cartas de amor, crônicas. Não serão apenas estórias. Mas, por favor, isto não é um diário e nem uma auto-biografia. Auto-biografias são ridículas ao meu ver.

Leia e comente comigo no meu livro de visitas.

Veja o menu de estórias na lateral.

Autora: Regina Celia (direitos autorais reservados)

São Paulo, 29 de dezembro de 2008

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